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Bikaner, Índia. 12 de setembro de 1971.
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Logo após o flagrante idiota em Jairo, tivemos que recomeçar nossa rota com três dias de atraso e 2500 rúpias a menos. O lado bom de ficar preso em uma cela com indianos é unicamente o fato de estar rodeado de indianos. São os criminosos mais pacíficos do mundo, certeza. Não somos bandidos. De fato, nunca me envolvi com nada de muito ilegal nesta vida. O problema foi Jairo aceitar a bela oferta de haxixe sem notar a presença de policiais do outro lado da rua. Ricco foi esperto em fingir não estar com a gente.
- Demorou muito, o que houve? - Perguntei ao nosso libertador.
- Não sabes de nada, Coisito. Eles estão procurando solucionar um crime bárbaro, o filho do administrador local foi morto quando brincava num parque de Cantonment, ao que parece. Chegaram a cogitar que nenhum local poderia matar uma criança assim. Que é coisa de gente de fora...
- E foi isso que o fez demorar tanto para trocar o travel? - Jairo interrompeu, com os braços em volta do nosso pescoço.
- É troça? - Desconfiei de mais uma das suas.
- Olha a papelada, tá tudo escrito aí. Devemos ficar na Índia até a conclusão do inquérito. Botei um advogado para cuidar de tudo. Paguei com uma balança de precisão.
- Menos uma - Resignei-me.
- Pessoal, um garoto foi encontrado morto. Não havia vestígios de sangue, mas ele estava sem os globos oculares e com um rim arrancado. A polícia está desesperada, tivemos sorte em conseguir os papéis de liberação. Só se fala disso. Olhem os jornais! - Informou, passando os diários misturados com a papelada da polícia.
Tinha mesmo um tom desesperado em sua voz. O caso, afinal, era mesmo sério. Italiano não é do tipo que se deixa impressionar com um noticiário policial. Ainda mais em uma cidade escolhida para fazer negócio. Jairo, que lia rápido, se encarregou de dar voz às páginas. Em respeito ao administrador de Bikaner, nenhuma foto fora publicada, mas elas foram tiradas pela polícia,Ricco as viu quando questionado sobre nossas atividades no Rajastão. E contou que depois de ver as fotos teve até pesadelo.
O fato é que na teoria éramos suspeitos, mas na prática essa suspeita foi uma corroborativa para o aumento substancial da fiança.
- Amanhã tenho planos de turista e vocês me acompanharão: Vamos para o hostel logo! – Anunciei, já caminhando pelo projeto de calçada, à descida das escadas da delegacia.
- Que isso, Roberto! Nós vamos mesmo nesse lugar? - indignou-se Jairo.
- O Ricco me chama de Coisito, eu vou começar a te chamar de Florzito, Jairo. Tá com medo de rato é bichona?
- Porra... Ricco, tu quer ir nessa merda também? - Jairo perguntou em tom apelativo para Ricco, que já subia em sua moto.
- Não perderia esse espetáculo por nada, Florzito! E por falar em rato, segura aí Rob... - E jogou um pacotinho do tamanho de uma caixa de fósforo.
Era o "nosso" Haxixe.
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Continua...
